Da próxima vez que cometer um erro, ao invés de se lamentar, lembre-se que muitos gênios da história só chegaram a grandes descobertas graças a falhas. Para comemorar esses erros que tiveram final feliz, o astrofísico Mario Livio, do Space Telescope Science Institute em Baltimore, Maryland, EUA, lançou o livro “Tolices Brilhante” (Simon & Schuster), em que conta a história de cinco grandes erros científicos.
Separamos essas histórias que servem para mostrar como até mesmo o mais inteligente entre nós pode errar e, principalmente, que grandes riscos são necessários.
Constante cosmológica
Albert Einstein, sem dúvida uma das maiores mentes da história, não era imune ao erro. Suas equações que descrevem como a gravidade funciona em sua teoria da relatividade geral, publicadas em 1916, foram significativas, embora ele tenha cometido um erro.
Entre os termos nas equações de Einstein, há um chamado “constante cosmológica”, que ele introduziu porque achava que o universo era estático. A constante cosmológica alcançava um universo estático por contrariar a força para dentro da gravidade. Mais tarde, quando os astrônomos descobriram que o universo estava realmente se expandindo, Einstein lamentou ter incluído a constante e depois a removido de suas equações.
Diz a lenda que Einstein chamou a criação da constante cosmológica de seu “maior erro” (embora Livio acredite que ele nunca tenha usado essa palavra). Mas, na verdade, o verdadeiro erro de Einstein foi ter tirado a constante. Em 1998, depois da morte do cientista, descobriu-se que não só o universo estava em expansão, mas que essa expansão estava se acelerando ao longo do tempo. Para explicar por que isso estava acontecendo, os cientistas reintroduziram a constante cosmológica nas equações da relatividade geral.
Big Bang
O astrofísico Fred Hoyle, do século XX, foi um dos autores do modelo popular “estado estacionário” do universo, o qual sugere que o universo está no mesmo estado em que sempre esteve e sempre estará. Como os cientistas sabiam que o universo estava se expandindo, a teoria necessitava da criação contínua de matéria nova no universo para manter a sua densidade e constante estado.
Hoyle ficou sabendo de uma teoria conflitante que dizia que o universo havia começado em um único evento, poderoso, que ele apelidou de “Big Bang”. Mas logo descartou a ideia, mantendo-se fiel ao modelo de estado estacionário.
“Foi um belo princípio e por cerca de 15 anos ou mais era muito difícil fazer a distinção entre este modelo e o modelo do Big Bang. Então, seu erro não foi propor o modelo. Seu erro foi, quando a evidência acumulada contra este modelo tornou-se avassaladora, não as ter aceitado. Ele continuou tentando inventar maneiras de manter o modelo de estado estacionário”.
Hoyle nunca se arrependeu, mesmo quando o resto da comunidade da física, finalmente, veio a abraçar a teoria do Big Bang.
Estimativa da idade da Terra
No século 19, William Thomson, ou Lorde Kelvin, foi a primeira pessoa a usar a física para calcular a idade da Terra e do sol. Embora a estimativa fosse cerca de 50 vezes menor do que agora pensam que é, os cálculos foram reveladores.
Lord Kelvin baseou o seu cálculo sobre a ideia de que a Terra começou como uma bola quente e derretida, que foi resfriando lentamente ao longo do tempo. Ele tentou calcular quanto tempo teria levado para o nosso planeta chegar ao seu gradiente de temperatura atual. Seus números foram errados em parte porque os cientistas ainda não haviam descoberto a radioatividade, por isso ele não pode incluí-la em seu cálculo. Elementos radioativos na Terra, tais como urânio e tório, são uma fonte adicional de aquecimento no interior do nosso planeta.
Mas Livio diz que este não foi o maior erro de Kelvin – mesmo se ele tivesse incluído radioatividade, a sua estimativa da idade da Terra teria permanecido quase a mesma. Em vez disso, o grande erro foi ignorar a possibilidade de que mecanismos desconhecidos podem ter transportado calor em toda a Terra.
“Ele assumiu que o calor é transportado com precisamente a mesma eficiência de toda a profundidade da Terra”, disse Livio. Mesmo depois de outros sugerirem que o calor pode ser transportado de forma mais eficiente nas profundezas da Terra, Lord Kelvin descartou a possibilidade. “Kelvin estava acostumado a ser direito muitas vezes. A situação foi apresentada a ele, mas ele nunca a aceitou”.




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